Atração por menores: Entenda o que você sente e como buscar ajuda sigilosa (sem julgamentos)

Se você chegou aqui sentindo medo, vergonha ou confusão sobre seus pensamentos: respire. Ter uma atração não faz de você um criminoso. O que define quem você é são suas ações. Este é um espaço seguro para entender o que está acontecendo e buscar ajuda sigilosa.
Primeiro quero começar falando que a sua leitura aqui é completamente segura. Não uso nenhuma ferramenta de estatísticas com exceção da Koko Analytics e é completamente cookieless, ou seja, não armazeno nenhuma informa sua, sobre o seu computador ou sobre a sua localização. Você, inclusive, pode visualizar todos os dados que tenho acesso por aqui. No entanto, se você ainda se sente inseguro em acessar o meu site, recomendo que use uma VPN. Algumas opções boas são Mullvad VPN e Proton VPN.
A pedofilia é um assunto bastante complexo. E discutir sobre isso publicamente é praticamente um “tabu”, poucas são as fontes jornalísticas que se dão ao trabalho de entender, por exemplo, que a pedofilia é bastante diferente do abuso sexual infantil. Em uma definição mais simples:
- A pedofilia é a atração etária e orientação sexual por menores idade, especificamente por crianças.
- O abuso sexual infantil é a ação criminosa de violentar e explorar crianças.
Tornando mais fácil de entender: a pedofilia não é crime. O abuso sexual infantil sim. Além disso, existe uma diferença entre o pedófilo (aquele que sente atração sexual por criança) e o estuprador (que majoritariamente não sente atração nem afeição sexual por criança).
Entre 80 e 240 milhões de pessoas no mundo são pedófilas
A última estimativa sugere que entre 1% a 3% da população global possua atração sexual por crianças ou adolescentes1. Esse número é bastante conservador e bastante enviesado, tendo em vista que a grande maioria dos estudos científicos sobre a pedofilia somente abordam a população carcerária2.
Estudar pedofilia olhando apenas para presidiários é como tentar entender o comportamento de todos os motoristas estudando apenas os que causaram acidentes fatais. Você concluiria que “dirigir é uma atividade assassina e imprudente”, ignorando os milhões que dirigem a vida toda sem bater o carro.
Há uma diferença entre o pedófilo e o estuprador
Diversos estudos demonstraram que grande parte dos condenados por abuso sexual infantil não eram pedófilos. O psicólogo clínico A. Nicholas Groth, por exemplo, em seu livro conhecido como “Men Who Rape”3 demonstrou que a grande maioria dos condenados eram, o que ele classificou como ofensor regredido. Ou seja, aquela pessoa que possui preferência sexual primária por adultos, no entanto, devido a estressores, baixa autoestima, inabilidade social, consumo de álcool ou vingança contra parceiros adultos ataca uma criança por ser um alvo acessível e vulnerável. Para este grupo de pessoas, a criança é um substituto ou um objeto de poder, não a preferência sexual real.
Isso também foi observado pelo ex-agente do FBI, especializado em crimes contra crianças, Kenneth Lanning. A grande parcela dos condenados por abuso sexual infantil, em especial em abusos intrafamiliares, quem comete o abuso sexual infantil geralmente o faz por falta de controle dos impulsos, intoxicação ou oportunidade, mas que não tem a orientação sexual voltada para crianças4.
No entanto, alimentados por uma mídia sensacionalista, a percepção que a sociedade tem é que pedófilo é um monstro. E isso termina alimentando um ciclo vicioso em que: por medo do estigma e de ser rejeitado ou até preso ao procurar tratamento, muitos pedófilos sofrem calados, alimentando um ciclo infinito de dor.
Não é uma questão de você ouvir de um amigo seu, por exemplo, falar que é pedófilo e você automaticamente imaginar que ele vai cometer o crime. Nem também de você passar pano no seu amigo, caso ele cometa.
A pedofilia é uma característica imutável da pessoa. Ele NÃO escolheu sentir atração por crianças ou adolescentes, o pedófilo é pedófilo pelo resto da vida. No entanto, a grande maioria dos pedófilos não cede aos impulsos. Além disso, a terapia pode ajudar bastante no controle dos impulsos e até mesmo com medicamentos que não sejam de castração química (até por que esses medicamentos causam mais sofrimento do que ajudam no tratamento e na evitação).
É possível deixar de ser pedófilo?
Se você sente atração por crianças ou adolescentes e espera se curar dessa atração, infelizmente, tenho uma má notícia. Não é possível deixar de ser pedófilo. Assim como não é possível deixar de sentir atração por homens ou deixar de sentir atração por mulheres, mesmo após anos de tratamentos forçados e até mesmo “campos de conversão”, o pedófilo continuará sentindo atração por crianças ou adolescentes.
Ter esses pensamentos lhe torna criminoso?
Não. O pensamento e a atração não são crime. A diferença está no que você faz com isso. Se você sente atração, pensa ou fantasia com crianças ou adolescentes, você não é criminoso. A partir do momento em que você age contra uma criança, você está cometendo um crime.
Se você “cede” aos seus pensamentos e machuca uma criança, você está cometendo abuso sexual infantil.
Isso também vale para comprar conteúdos pornográficos com crianças ou adolescentes. Na legislação brasileira: o consumo e o armazenamento de qualquer material erótico envolvendo crianças ou adolescentes é considerado crime.
Ou seja, não é apenas quem produz que é considerado criminoso, mas também quem consome.
Se contar para o meu psicólogo, ele vai chamar a polícia?
Depende, mas em via de regra não. A diferença está no que você vai contar. O artigo 9º do Código de Ética Profissional do Psicólogo estabelece que é dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional para proteger a intimidade da pessoas. Ter desejos pedofílicos, por si só, não é crime. Portanto, ao relatar esses desejos em terapia você está protegido pelo sigilo profissional.
Se você acredita que o seu psicólogo violou esse sigilo, você deve denuncia-lo ao Conselho Regional de Psicologia do seu estado.
No entanto, se você comunica um crime para o psicólogo, ele pode e deve quebrar esse sigilo. Isso está descrito no artigo 10º do Código de Ética Profissional do Psicólogo, que em situações de conflito grave que coloquem em risco a vida ou a integridade de terceiros (Princípio do Menor Prejuízo – primum non nocere), o profissional é obrigado (inclusive pelo ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente) em reportar o crime para as autoridades.
Exemplo: Se o paciente diz “eu tenho vontade de fazer tal coisa”, o sigilo é mantido. Se o paciente diz “eu estou planejando abusar de uma criança específica amanhã e já comprei as passagens”, o psicólogo pode (e deve) quebrar o sigilo para proteger a vítima.
Abaixo mostro uma tabela comparativa do que é protegido pelo Código de Ética e o que não é protegido:
| Situação no consultório | Ação do profissional (Psicólogo) |
| “Eu sinto atração por crianças e isso me tortura.” | Sigilo Total. Foco no tratamento, redução de ansiedade e controle de impulsos. |
| “Eu vejo pornografia infantil.” | Zona Cinzenta/Complexa. É crime (art. 241-B do ECA), mas o foco terapêutico costuma prevalecer para cessar o comportamento, a menos que haja produção ou risco a uma criança real identificável. |
| “Estou planejando abusar do meu sobrinho neste fim de semana.” | Quebra de Sigilo Provável. O profissional tem o dever ético de proteger a vítima (Justa Causa / Menor Prejuízo). |
O que o psicólogo vai fazer por mim?
O papel da terapia nesse caso é exatamente ouvir, sem julgamentos e ajudar a pessoa a controlar seus impulsos para evitar a prática de crimes. É entender que aquilo não foi uma escolha, você não escolheu ser pedófilo e você definitivamente não é um monstro por isso.
O seu psicólogo lhe ajudará no controle dos impulsos, na aceitação (é uma atração sexual e é algo imutável, o mínimo que você precisa fazer é se aceitar), mas entender que agir e ceder aos seus impulsos é crime e você vai estar afetando a liberdade e a vida de outra pessoa.
Não sinto atração por adultos, é normal?
Sim. Existe o que chamam de “MAPs Exclusivos”. O MAP é um termo criado para ser guarda-chuva e significa “Minor-Attracted Person”. Em uma tradução literal “pessoa atraída por menores”. Esse termo guarda-chuva abriga tanto os pedófilos (que sentem atração por crianças), quanto hebéfilas (indivíduos atraídos por pré-adolescentes) e as efebófilas (adultos que se sentem atraídos por adolescentes).
Assim sendo, o MAP exclusivo é aquela pessoa que só sente atração por crianças, pré-adolescentes ou adolescentes e não consegue sentir nenhuma atração por adultos.
Posso ter um relacionamento normal com um adulto?
Sim. Muitos MAPs que controlam seus impulsos e fazem acompanhamento terapêutico adequado, levam vidas normais com os seus parceiros. Exceto se você for exclusivo, a atração por menores não impede que você sinta atração por adultos.
A polícia rastreia quem pesquisa sobre pedofilia ou busca ajuda na internet?
Não. Existe uma diferença enorme entre você buscar sobre pedofilia no Google, por exemplo, em busca de ajuda ou até mesmo para questões de pesquisa. A informação não é crime. No entanto, se ao invés de pesquisar sobre isso você acessar sites ilegais em busca de material pornográfico, você estará cometendo um crime e provavelmente será rastreado por isso. Em resumo, o crime é baixar/compartilhar material de abuso ou aliciar menores. Buscar ajuda é um ato de prevenção.
Se você já cometeu um erro no passado (seja online ou pessoalmente), você ainda pode buscar ajuda sem ser preso?
É uma questão complicada. Se você já cometeu um erro no passado e cumpriu pena, você continua sendo protegido pelo sigilo, tendo em vista que você já “pagou” pelo crime. No entanto, se você não foi condenado ou a polícia não está ciente que você cometeu algum crime você pode sim ser responsabilizado e denunciado pelo seu terapeuta.
A melhor opção nesse caso é procurar advogados e terapeutas especializados que podem orientar a melhor forma de parar e assumir responsabilidade sem necessariamente destruir a sua vida, mas o foco principal é parar imediatamente.
O que fazer se algum amigo, familiar, colega ou até mesmo cônjuge fala para você que sente atração por menores?
É um assunto complicado, eu sei. O seu primeiro pensamento talvez seja “vou lhe denunciar”. Se a pessoa não cometeu nenhum crime (como disse anteriormente, a pedofilia/atração não é crime), o seu comentário é apenas carregado de preconceito e estigma.
O primeiro passo é você entender (se quiser), se essa pessoa realmente sente atração ou ela acha que sente. A melhor sugestão é recomendar que essa pessoa faça terapia para o controle dos impulsos e dos pensamentos.
E entenda que essa pessoa teve bastante coragem para lhe confessar algo que é considerado pela sociedade como algo monstruoso. Ou seja, essa pessoa confia bastante em você.
Se afastar dessa amizade pode até aliviar o seu pensamento, mas isso não vai ajudar em absolutamente nada para a pessoa. Na verdade, a tendência é piorar qualquer tentativa de tratamento, afinal, se ele pensa “contei para o meu amigo e ele se afastou de mim, imagina contar isso para um psicólogo? Ele vai querer me prender!”, qualquer tentativa de tratamento vai ser bastante demorada.
Se o seu cônjuge confessou isso para você e/ou você tem filhos com ele, é algo que precisa ser conversado com a terapia. Por via de regra, se essa pessoa não age sobre os seus impulsos, ela consegue viver uma vida “normal” com o acompanhamento terapêutico. Ela não é uma ameaça nem para você, nem para os seus filhos. No fim, tudo se resume em: acompanhamento terapêutico ético e eficiente.
Construindo uma rede de redução de danos: chamada para profissionais de saúde mental
Existe uma demanda, mesmo que oculta e com bastante medo para tratamento especializado e ético para pessoas com atração por menores (MAPs), no entanto, a quantidade de profissionais preparados é escassa. Muitos indivíduos deixam de buscar ajuda por medo do julgamento moral ou da quebra indevida do sigilo, o que aumenta o risco social.
Com o fim de facilitar esse contato entre pedófilos/MAPs estou organizando um banco de dados interno e sigiloso de profissionais dispostos a acolher essa demanda com base na ética, no sigilo profissional e na redução de danos.
Como funciona?
Seus dados não ficarão expostos publicamente no site. Eles servirão apenas para que eu possa realizar a triagem e encaminhar pacientes específicos que se encaixem no seu perfil, abordagem e localização.
Se você atua com ética e deseja fazer parte da solução, preencha o formulário respondendo as informações abaixo para facilitar o direcionamento correto:
- Nome Completo e Registro Profissional (CRP ou CRM).
- Abordagem Teórica (TCC, Psicanálise, Fenomenologia, etc.).
- Modalidade de Atendimento (Presencial, Online ou Ambos).
- Cidade/Estado (Para casos presenciais).
- Faixa de Preço / Vagas Sociais (Importante: muitos buscam valores acessíveis).
- Nível de Experiência/Conforto (Já atendeu casos de parafilia? Tem supervisão? Aceita apenas pacientes que não cometeram atos ou também atende casos judiciais?).
Cadastro Profissional – Rede de Apoio
Você não precisa lidar com isso sozinho: Encontre atendimento especializado
O medo de ser julgado ou denunciado é a maior barreira para buscar ajuda. Mas saiba que existem profissionais éticos, preparados para ouvir você focando no seu bem-estar e no controle dos seus impulsos, sem julgamentos.
A minha ideia é construir uma ponte segura entre você e terapeutas que entendem a sua realidade. O objetivo aqui é a sua saúde mental e a prevenção.
Para que eu possa indicar o profissional mais adequado para o seu caso, entre em contato. Sua identidade será preservada. Não é necessário dizer seu nome real no primeiro contato se não se sentir confortável.
Você pode entrar em contato comigo das seguintes formas:
- E-mail: yslima@proton.me
- Telegram: https://t.me/tyleanis
Se você não tem acesso a e-mail e nem Telegram, você pode enviar uma mensagem neste formulário de contato.
Qual a razão pelo qual eu quero ajudar pedófilos a receberem o tratamento adequado?
Eu acredito numa sociedade bastante utópica (Tecno-Progressismo Libertário, uma vertente maluca do Libertarianismo de Esquerda). A pedofilia sempre foi um assunto ignorado por praticamente qualquer política pública de saúde. Seja de qualquer lado do espectro político, nem um político assume publicamente alguma tentativa de facilitar o tratamento para pessoas que são pedófilas/MAPs.
E crimes que poderiam ser evitados, não são. E pessoas que sofrem não apenas com o pensamento, mas também com tudo que isso carrega, continuam sofrendo e algumas até recorrem ao suicídio.
Ou seja, a sociedade atual foca mais (e, por sinal, de forma bem precária) no atendimento à vítima. Mas não no evitamento do crime e no tratamento do pedófilo para EVITAR que o crime aconteça. A sociedade vive num estado de reparação de danos e não na prevenção de danos.
Eu sei bem disso, pois tive um amigo (Leo) que contou que era MAP para mim. No entanto, seus pensamentos foram tão fortes, que PARA EVITAR COMETER ALGUM CRIME, ele se suicidou e nunca buscou ajuda com medo de ser denunciado ou preso. O Leo não se resumia ao fato dele ser MAP. O Leo não era apenas uma característica, não era resumido em apenas uma palavra. Ele era uma pessoa cheia de sonhos, que possuía uma atração sexual complicada, e que poderia estar até hoje vivo, em tratamento e vivendo uma vida completamente normal.
Então, por mais que seja polêmico o assunto e muita gente prefere evitar até abordar publicamente o assunto, é necessário.
Algumas páginas com informações adicionais (feitas por pessoas MAPs ou organizações de apoio)
- MAPness em português
- B4U-ACT (Uma associação/organização norte-americana com o objetivo de facilitar a conexão entre MAPs e terapeutas éticos)
- Pensamentos de um Folle
Referências
- https://www.bbc.com/news/magazine-28526106 ↩︎
- https://www.researchgate.net/publication/328129843_Study_of_the_psychological_and_physiological_characteristics_of_a_community_sample_of_pedophiles ↩︎
- https://www.amazon.com/Men-Who-Rape-Psychology-Offender/dp/0738206245 ↩︎
- https://www.amazon.com.br/Love-Bombs-Molesters-Agents-Journey/dp/0692112065/ref=sr_1_3?dib=eyJ2IjoiMSJ9.Z0pfGrlbq1wk4fX2tXPpudGgsXu_0LGKAUR2gRdYKhk.811aWUznnTJfC-YR-VPf7qfWhmraR_8t1RwygGyAPVw&dib_tag=se&qid=1765570650&refinements=p_27%3AKenneth+V.+Lanning&s=books&sr=1-3&ufe=app_do%3Aamzn1.fos.6121c6c4-c969-43ae-92f7-cc248fc6181d ↩︎